The Flame In The Flood - Sempre uma aventura sempre nova.

@uroichy-san

Desenvolvido pela The Molasses Flood, e lançado oficialmente em 2016, após passar um bom tempo em acesso antecipado, The Flame In The Flood é sem dúvidas um dos melhores jogos de sobrevivência da atualidade, isso falando de jogos simples que são acessíveis para todos, e não apenas para quem tem um PC de última geração. Com uma atmosfera muito atraente e ao mesmo tempo instigante, te levando a querer explorar, esse game consegue unir muito bem os gráficos simples a uma gameplay tão imersiva que te faz esquecer que está em um game de sobrevivência, e não num de aventura. O que pode ser um erro fatal.

 Só para constar, minha análise se baseia na versão atual do jogo, e não na de lançamento.

 A história do game é bem simples, o jogador assume o controle de Daisy, uma garota que já começa solitária ao lado de uma fogueira numa noite chuvosa, quando surge o cachorrinho Aesop, trazendo consigo uma mochila, que parece ser de seu antigo dono, que, uma teoria minha, aparece no menu. E após isso o jogador assume, tendo que percorrer o rio e sobreviver por 10 dias. 

 Primeiro é bom falar da ambientação, que traz sempre aquele clima de solidão e insegurança, aliado aquela sensação de curiosidade e vontade de explorar cada canto dos cenários. Que podem esconder os mais diversos tipos de coisas, de plantas muito úteis a animais prontos a atacar, até a outras pessoas, que podem ajudar na jornada de Daisy, tanto quanto podem atrapalhar.

 A jornada se segue toda pelo rio, com a exploração de cidades devastadas, selvas, e pequenas ilhas, sendo algo totalmente voltado apenas a coleta de recursos, para então se seguir em frente. Um ponto importante da coleta de recursos é o conserto, modificação, e melhora da sua jangada, pois é com ela que o jogador segue rio abaixo, então é sempre bom melhorá-la, e consertá-la após passar por corredeiras violentas, que são quase todas. Melhorar a estrutura, colocar um leme, um fogão, ou até um destilador de água potável, as opções são muitas, mas sempre exigirão tipos diferentes de itens, e quantidades diferentes, para cada uma ser construída.

 É importante lembrar, Daisy também é o ponto da coleta de recursos, ela necessita de comida e água, ou poderá morrer de sede ou inanição. Com o tempo ela precisará de roupas melhores, ou poderá morrer de frio, ou ter doenças, que podem então levar a morte. E precisará ter remédios a disposição, para curar todo tipo de doenças e ferimentos que podem surgir, ou acontecer. E também o descanso, pois Daisy fica cansada, então é necessário que se encontre lugares seguros para passar a noite, que podem ser certas casas abandonadas, ônibus abandonados, e até próximo a uma fogueira, mas é importante lembrar que fogueiras só oferecem proteção enquanto acesas, se chover, ou elas apagarem naturalmente, o jogador estará exposto a perigos.

 Sempre lembrando, o jogo é gerado de forma procedural, ou seja, morreu, volta a um ponto de verificação quando em dificuldade baixa, e precisa recomeçar dali, mas tudo será diferente. Já em dificuldades maiores, ao morrer, terá de recomeçar do zero, com toda a jornada sendo refeita, e tudo sendo diferente também.

Ursos são a morte certa.

 Na verdade, The Flame In The Flood chega mais próximo de um simulador de sobrevivência a vida selvagem, pois em sua maioria, os problemas reais serão os animais. É sempre importante calcular bem as batalhas, pois gastar aqueles poucas flechas, conseguidas com tanto esforço, em um único lobo, pode cobrar um preço bem alto mais a frente. Ou então gastar quase tudo para matar aquele urso que te ameaça em algum dos cenários. Enfim, é sempre bom ter uma boa noção do que você tem na mochila, para não gastar mais do que deveria, e acabar morrendo por um osso quebrado, por ter gastado a madeira para fazer uma flecha que não ajudou em nada, ou não poder fazer uma armadilha para coelhos, por estar sem corda, que usou para pegar um lobo que nem pode aproveitar a carne. Ou, ainda, ser picada por uma cobra, ou formigas, e não ter aquela planta que usou anteriormente para poder fazer antidoto. As possibilidades de mortes por animais são bem consideráveis.

 Por último, para não acabar falando até dos desfechos de alguns diálogos, eu acho interessante mencionar a dinâmica de dia e noite, que é sensacional. Como qualquer jogo de sobrevivência desse tipo, o clima é bem dinâmico, tendo dia e noite, chuva e sol, o que modifica totalmente a forma como um desafio pode ser enfrentado, ou evitado. Por exemplo, fogo afasta animais selvagens, o que pode te salvar de lobos famintos, mas não quando está chovendo, já que não dá para acender fogo nessas horas, óbvio. Sem mencionar a própria saúde da Daisy, pois quando chove, se o jogador ainda não tem roupas de alto nível, ela começa a ficar molhada e com frio, o que pode matar mais rápido e mais facilmente do que os animais.

 Outro ponto interessante é a forma como o cenário reage ao momento. De dia vemos um cenário todo 'colorido', chamativo e convidativo a exploração, principalmente quando tudo está calmo. Enquanto que, a noite, os mesmos cenários se tornam bem mais sinistros, nada convidativos, e só de ouvir os uivos de lobos você já quer voltar correndo a sua jangada e dar o fora dali. Sem falar que tudo fica ainda melhor, ou mais assustador, pelo fato de que a trilha sonora é apenas durante as navegações pelos rios, nas ilhas, enquanto você explora, é apenas o som ambiente.

(não é um mapa do jogo, é apenas uma imagem propaganda)

 Com uma trilha sonora impecável, assinada pelo cantor, compositor, e guitarrista americano Chuck Ragan, The Flame In The Flood é um ótimo jogo de sobrevivência para aqueles que querem algo mais voltado a uma jornada pela natureza selvagem e desolada de um mundo inundado. Com uma natureza selvagem, realmente selvagem, e cenários gerados aleatoriamente, sempre trazendo algo novo a cada partida, o desafio sempre será, literalmente, o desconhecido.

PLATAFORMAS: PC, PS4, Xbox One.