Resident Evil 2: Remake (PS4/XBOX ONE/Microsoft Windows) - Review

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@sharpnosedgamer
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A redenção da Capcom.

Quando eu comparo as minhas últimas experiências da série Resident Evil com as de outros jogadores, elas tendem a se identificar umas com as outras. As mesmas opiniões de que Resident Evil 6 foi um fracasso em termos de ser um jogo de terror e poder matar os zumbis de Tall Oaks apenas com ataques físicos, até o desaparecimento de uma experiência survival horror, que foi recebido nas primeiras edições até Code: Veronica, para um jogo de ação com seu teor focado em eliminar hordas de humanos infectados na Espanha e na África em RE4 e 5.

O final desse período de mudanças, junto com outras decisões monetárias da empresa, que culminou na decepção que foi Resident Evil 6, definitivamente não deixou que compradores enxergassem uma luz no fim do túnel. Durante a E3 de 2016, foi reproduzido um trailer, que mostrava uma localidade rural semi-abandonada, de porões empoeirados, comidas podres infestadas de baratas até estranhos eventos de assassinatos capturados em fitas cassetes. Surgia Resident Evil VII, a pedra fundamental para a reconstrução da estrutura de horror que tanto eu quanto outros gamers mais antigos e fãs da franquia achávamos que tinha desaparecido com Resident Evil 4.

O jogo recuperou a esperança da temática do horror e do sentimento de um protagonismo que priorizava a sobrevivência ao invés aniquilação de todos os inimigos presentes na tela. A confirmação definitiva foi concretizada em um sonho que boa parte dos fãs clássicos compartilhava: Um remake de Resident Evil 2 totalmente adaptado e renderizado para os consoles de mesa da última geração. Os gritos de felicidade, nostalgia e esperança escutados na exposição da Sony ao apresentar suas novidades na E3 2018.

Footage do trailer passado na E3 2018.

Leon retorna aos seus 18 anos de idade, com toda inexperiência do primeiro dia de trabalho em meio ao apocalipse de Raccoon City, zumbis tiveram um upgrade gráfico assustador em todos os sentidos, e o Tyrant de número 103, conhecido como Mr.X, se manifesta novamente como um gerador de crises de nervosismo e perseguição ao jogador.

A história do jogo se concentra no policial novato do departamento de polícia de Raccoon City, Leon Kennedy, indo até a cidade para seu primeiro dia de trabalho. Após parar em um posto ele percebe rastros de sangue dentro da loja de conveniências, tendo seu primeiro contato com zumbis e encontrando a estudante universitária que também está indo para a cidade em busca de seu irmão, Claire Redfield. A partir daí, é dada a opção de escolher qual das duas histórias você escolherá para dar início ao jogo, onde ambos os personagens realizam trajetos similares de travessia pelos diversos pontos da cidade em ruínas, enfrentando no caminho todo o tipo de monstruosidade até encontrarem uma saída ou explicação para o que aconteceu ali.
Descobrindo meios para fugir do local, cada um se envolve nas polêmicas de um segundo e mais poderoso vírus: o G-Vírus, criado pelo doutor William Birkin em um laboratório subterrâneo aos esgotos de Raccoon. Isso possibilita a interação com outros personagens que de alguma forma querem obter ou proteger as últimas amostras do vírus, como a misteriosa agente do FBI Ada Wong, e a esposa de William, também uma cientista, Annette Birkin.

Ada e Leon

Os controles utilizados estão no mesmo estilo de Resident Evil 4: Câmera americana em terceira pessoa, pegando o torso superior do personagem e com funções similares de andar, atirar e esfaquear. Esse módulo se mostra mais simples e menos estressante do que os controles tanque utilizados do primeiro até a terceiro episódio da franquia, com mudanças abruptas de câmera e direção das personagens. Essa nova metodologia de controle foi um dos bons frutos que pode ser colhido nos últimos jogos lançados.

O jogo foi lançado no dia 25 de janeiro de 2019, para PS4 e XBOX One, e por ser um fã de longa data da série, fui forçado a fazer pre-order (não me julguem). Desde o começo, da cena do caminhão até a entrada na delegacia de polícia, é possível perceber um detalhe que complementa o cenário de horror realista que o game propõe: As feridas e danificações permanentes, tanto nos zumbis, quanto nas outras B.O.Ws (Bio Organic Weapons-Armas bio-orgânicas) de acordo com a arma pela qual foi alvejada. Basta alguns tiros de pistola Matilda no rosto de um zumbi para que este ficasse permanentemente deformado e coberto de sangue, e um de shotgun para explodir sua cabeça ou deixar seu torso superior em carne viva exposta. A experiência de atirar nesses monstros enquanto eles acumulam buracos de bala e simplesmente não morrem pode ser um tanto quanto tensa para o jogador, principalmente levando em conta o racionamento de munição que o jogo propõe.

O segundo aspecto, aquele que serve como um dos pilares para um bom jogo de terror/survival horror: A ambientação. Atravessar os corredores escuros de cada andar da delegacia, recheada com corpos que você não sabe se vão levantar ou não, e lickers que podem te eviscerar com dois golpes. Se molhar nas águas pútridas dos esgotos de Raccoon enquanto enfrenta mutações grotescas do G-Virus, tudo isso mais a organização de slots limitados para itens e munição dá ao jogador a sensação dele realmente se localizar no meio ao inferno em forma de cidade.

Eu separei um parágrafo só para ele, porque ele merece. Qualquer jogador vai ter uma experiência de nervosismo, medo e ansiedade ao ouvir passos grossos e largos ecoando pelos andares da R.P.D. No dia decisivo de 28 de setembro de 1998, a Umbrella resolveu fazer uma queima de arquivo de todo civil que estivesse dentro da estação, simbolizada na arma biológica perfeita: O Tyrant. Não basta apenas ser um supersoldado geneticamente modificado, é preciso dar uma aura especial a ele no formato de um sobretudo e um chapéu Noir de 1950. Mr. X se mostra como um personagem definitivo e essencial no jogo, porque você não tem outra escolha senão correr dele. Pistola, shotgun, lança-granadas, nada se mostra efetivo para fins que não sejam uma paralisação temporária desse poderoso antagonista. O medo se concretiza no formato de seus passos, que assombram a audição de quem joga e é forçado a se esconder na Safe Room apenas para ouvi-los se distanciando.

MEU DEUS DO CÉU, BERG!!!

A cada local é encaixada uma variedade diferente de inimigos que o represente, de um crocodilo gigante infectado pelo T-Vírus no esgoto, até monstros de planta na zona botânica do laboratório subterrâneo da Umbrella. Qualquer indivíduo que esteja jogando pela primeira vez vai sentir a tensão de não saber o que esperar no próximo local a ser adentrado. Capcom fez um ótimo trabalho na sonorização de cada um, dos gritos de zumbi altos o suficiente para te dar taquicardia até os sons estalados que são emitidos pelas plantas B.O.W e na ausência de som, que também contribui para o medo em relação aos arredores.

Apesar de William Birkin e suas variações de malformação do G-Vírus como antagonista principal, não é oferecido tempo para mergulhar no personagem em si, o jogo opta por utilizá-lo como um monstro que quer te matar de cara logo no primeiro encontro. Birkin se sobressai mais como um chefe assustador e poderoso do que um personagem que a história busca investir, o que não torna ele um aspecto negativo de Resident Evil 2.

William Birkin em sua primeira mutação.

Após a conclusão das duas campanhas de Leon e Claire, conteúdos adicionais, uns clássicos e outros totalmente novos, são desbloqueados. Roupas como versões clássicas dos uniformes dos personagens, um traje de xerife digno de plágio da série Walking Dead para Rick Grim-digo, Leon Kennedy* e o retorno de modos de gameplay extra com personagens diferentes (o misterioso HUNK em The 4th Survivor e o carismático modo Tofu). DLCs com outras vestimentas e histórias alternativas que relatam como seria se outros personagens como a filha do prefeito, e os colegas de HUNK teriam progredido, caso tivessem sobrevivido mostram o empenho da Capcom em não deixar o jogo apenas um mero remaster sem direito a conteúdo inédito.

Aqueles que compraram o jogo na pré-venda, recebem de brinde um pacote com 3 pistolas Samurai Edge únicas, utilizadas por Chris, Jill e Wesker em outros jogos, os trajes de Xerife/Noir para Leon e os de Motoqueira/Soldado para Claire, assim como a opção de poder jogar com a trilha sonora do game original, com o intuito de dar ao comprador uma diferença a mais na jogabilidade em relação à edição normal.

Algumas amostras de costumes DLCs disponíveis.

Com o remake de Resident Evil 3: Nemesis prestes a ser revelado (Deus me ouça), Resident Evil 2 prova que a empresa ainda possui um imenso potencial para desenvolvimentos da série que tenham o fator survival horror vivo e bem representado neles. O começo de 2019 simboliza o renascer da Fênix anteriormente em cinzas que é a série Resident Evil, mesmo que em um ato de nostalgia. Que esses resultados sejam a força motriz da Capcom em sua jornada de redenção, tanto para a franquia, quanto para os fãs.