Cyberpunk 2077: Alguém tinha que reclamar

@vitu

Vou começar dizendo que esse é um artigo extremamente informal baseado apenas em minha opinião. A Pyre não endorsa, e nem obrigatoriamente concorda com o que vou dizer aqui.
Seguimos...


Cyberpunk 2077. Que jogo meus amigos, que jogo! Quando a CD Projekt Red afirmou nos últimos meses que esta convenção seria uma das mais importantes em sua história, não era brincadeira. Caramba, galera... Keanu Reeves! O cara foi pessoalmente contar pra gente a data de lançamento do game, e ainda nos presenteou com um dos momentos mais marcantes e acolhedores de todas as convenções até o momento. Um jogo extremamente ambicioso, uma nova IP desenvolvida e lançada por ninguém menos que os criadores de The Witcher, um dos maiores sucessos no mundo do RPG e apresentados por um dos atores mais queridos de toda Hollywood. Não tem como odiar essa combinação né, galera? A CD conseguiu, ela agradou todo mundo.

Bom, aparentemente alguns jornalistas não são todo mundo.

Para aqueles que só passaram por cima da E3, assim como no ano anterior, alguns jornalistas foram convidados para uma sessão fechada de demonstração do gameplay de Cyberpunk 2077. Estes foram liberados e incentivados a divulgarem suas opiniões e críticas ao game nos dias seguintes. Como é o caso de muitos canais de notícias atualmente, a estratégia para chamar a atenção e atrair cliques se encontra na problematização e na dramatização de situações mundanas, o que muitas vezes é um tiro pela culatra. 
Essa foi a estratégia de um dos jornalistas da Rock, Paper & Shotgun, que iniciou uma série de debates e críticas sobre Cyberpunk 2077 e seu material base, o RPG de mesa Cyberpunk 2020. Nesse artigo, o redator já inicia as críticas pelo título: 'A demo de Cyberpunk 2077 sofre com tiroteios sem graça e estereótipos genéricos'. A coragem de atacar um material vindo de um RPG de mesa extremamente profundo como Cyberpunk de 'genérico' já é um alarme e tanto para o conteúdo que está por vir.

O escritor continua sua jornada pontuando diversos aspectos que o deixaram desconfortável e revoltado com o game. Sendo alguns deles voltados a conceitos como o clã denominado 'Animals', que, segundo o escritor, ele se sentiu 'cada vez mais desconfortável por estarmos atirando em um grupo composto predominantemente de personagens negros chamados de 'Animais''. Aparentemente, esse jornalista não fez o seu dever de casa. Os 'Animals' são um clã que se denominaram dessa forma por se considerarem um grupo forte e agressivo, não foram outras pessoas que os menosprezaram dessa forma.

Mas, essa afirmação foi o bastante para iniciar uma onda de críticas e ataques à CD Projekt Red na internet. Inúmeras pessoas, motivadas por esse e outros artigos, começaram a se revoltar com o contexto do game e até mesmo a forma que a nudez foi apresentada no ano anterior. Esse efeito é um tanto quanto um paradoxo, afinal, o gênero Cyberpunk é justamente centrado em torno de um futuro distópico em que os personagens lutam contra uma sociedade que se rendeu aos padrões e preconceitos, onde a modificação corporal se tornou uma obsessão e cada vez mais a sociedade se afasta do que é ser humano, sendo até mesmo um status real no jogo de mesa: se o seu personagem tem muitas modificações, ele fica cada vez menos humano e mais próximo da loucura.

O engraçado é que a maioria desses críticos não sabe disso, muito menos sabem que o principal criador de Cyberpunk, Mike Pondsmith, está trabalhando diretamente com os desenvolvedores, desde a pré produção do game. Todo esse material que está sendo criticado por sua tonalidade 'racista', que supostamente deve ofender as minorias negras do mundo inteiro, foi criado e aprovado pessoalmente por Mike Pondsmith, um designer de games negro e criador de Cyberpunk 2020. É impressionante que o próprio Mike teve que fazer o favor de declarar pessoalmente, em threads no reddit/twitter e em entrevistas, que ele participa da criação e defende esse conteúdo. Isso é insano!

O absurdo e a vontade de odiar um fenômeno que está se popularizando vão tão longe que chegam a extremos como dizer que Cyberpunk seria só mais um jogo genérico protagonizado por um personagem masculino branco com um mundo aberto perfeito para oprimir minorias. Bom, isso pode parecer um exagero, mas alguém em algum lugar na internet dedicou o mesmo tempo que estou dedicando para escrever essa história para jogar Cyberpunk para baixo por ser protagonizado por um personagem genérico e branco.

O problema é que seu personagem é totalmente customizável.

As críticas de Cyberpunk são um paradoxo. O que gera controvérsias em torno do game atualmente são os mesmos temas que Cyberpunk busca abordar como erros, frutos de uma sociedade distópica que não combateu estes problemas quando era tempo. A CD Projekt Red é um grupo de desenvolvedores diversificado que conta com a aprovação e o auxílio do próprio criador do material base. Realmente tive que dedicar um tempo para defender essa empresa que já proporcionou tantas horas de experiências inesquecíveis para mim. 

E vocês, vêm acompanhando o desenrolar desse game? Quais suas expectativas? Vamos falar sobre isso!