Controle uma Criança Conscientemente Psicopata em Emily Enough

@claudia-mitre-rocco

Com esse título parece que estou falando de algo que possa ser extremamente mórbido, porém no Adventure Point and Click: Emily Enough Imprisoned, não é bem assim.

Não que o jogo não tenha seu humor ácido, pois ele tem, mas esse jogo acaba sendo tão casual, que em certos momentos nem parece que a personagem fez o que fez.

Emily é uma garota que, se não me engano, está completando 11 anos (por ai); vem de uma família rica e é considerada uma criança genial.

E logo no inicio, nos deparamos com uma intro onde toca uma música com um estilo que Tarantino provavelmente usaria em seus filmes, e Emily nos é apresentada comemorando seu aniversário, sentada na ponta de uma enorme mesa olhando para a frente, e do outro lado da mesa, distantes dela estão seus pais e dois empregados observando a menina e prontos para escutar suas exigências.

Depois de um diálogo entre a criança e seus pais, percebemos que Emily claramente não tem vocabulário e trejeitos comumente infantis, e que ela age com prepotência perante os adultos.

Acontece algo que não contarei em detalhes (pois a mágica está em assistir a Intro), mas isso resulta em Emily sendo mandada para um Hospital Psiquiátrico.

A menina logo que chega no lugar, reclama do hospital cheirar mal, ter uma aparência ruim e não ter nenhum maleiro para carregar sua mala até seu quarto; e abismada com tudo isso, a menina diz que precisa fugir, e é onde a trama começa.

Um dos lances que eu acho interessante nesse jogo, são justamente os personagens. Em alguns momentos, vendo um diálogo entre Emily e algum paciente ou funcionário do Hospício, chega curiosamente a passar pela sua cabeça, vendo apenas aquela conversa, que Emily é mais ''sã' que a maioria deles, e isso é apenas mais uma das artimanhas que Emily consegue fazer com a gente.

Emily é tão ''consciente'' de seus atos, e os ''aceita'' tão bem, dizendo ''eu sou assim e pronto'', que você se pega  olhando para ela ansioso em ver sua jornada e o que mais ela tem a dizer e fazer; a gente em certo momento não olha mais para a menina pensando no que ela fez, mas como uma criança realmente genial, interessante e até graciosa. Claro, rolam muitas outras cenas no jogo que fazem com que a opinião de quem joga vá flutuando, mas isso varia de cada jogador.

O jogo com certeza tem desafios interessantes e personagens mais interessantes ainda, onde todos são carismáticos e peculiares. O cenário deprimente (ou apenas solitário) do jogo com certeza traz uma ambientação condizente com o que rola no Hospital onde Emily foi parar.

O jogo foi feito por Logan Worsley, e é completamente indispensável para quem gosta de jogos indie, ou simplesmente de quem gosta de um jogo completamente ótimo em todos os requisitos.

Pode ser baixado aqui: https://www.adventuregamestudio.co.uk/site/games/game/602/